domingo, 10 de junho de 2007

ATO: NEGO ESTE CIDADÃO PARAIBANO!!!!

Ao abrir o orkut, eis que vejo uma mensagem:

"Olá a tod@s...

Convidamos tod@s os paraiban@s, e tbm aqueles/as que adotaram essas terras como sua, para estarem participando na sexta-feira 08/06, do ato: "NEGO ESTE PARAIBANO", às 9h no Espaço Cultural - Tambauzinho;
Em protesto a entrega do título de Cidadão Paraibano ao ex-presidente Fernando Collor, o pivô do mensalão Roberto Jefferson e aos que se dizem representantes do povo, e que propõem um absurdo deste;
Amanhã (quinta-feira 07/06) ás 15h na Praça da Alegria, UFPB, estaremos nos concentrando para uma oficina de preparo de todo o material para a sexta; e uma prévia troca de idéias. Tod@s são bem-vindos, tragam materiais que possam ser utilizados".

Tremi de indignação. Como é??? FERNANDO COLLOR DE MELLO RECEBENDO TÍTULO DE CIDADÃO PARAIBANO?

Nossa, fiquei sem reação por alguns poucos segundos. SIMPLESMENTE "DE CARA"!!! Segundos que se seguiram de tempos e mais tempos de uma profunda, mas muito profunda revolta. Um puta emputecimento.
Mas SERÁ POSSÍVEL?? Honrarias pra vigaristas???
E veio um super clã, uma matilha, uma quadrilha dos grandões: o Exmo. FDP. Mor Srº Fernando Collor e o Exmo. FDP. Srº Roberto Jefferson, réu confesso, digaê???
Acho que pra condecorarem ladrões de alto escalão (altíssimo) só faltou o Excelentíssimo Srº Juiz FDP. Nicolau dos Santos Neto. Mas seria só pra completar mesmo, porque lá dentro do plenário se gritasse "pega ladrão!!!" não ficaria um dos seletos exemplares do cenário político paraibano, que ostenta muitos deste espécimen e tinham vááários empaletozados "exemplares" por lá.
Lamentei amargamente só ter lido o scrap quinta a noite, já tinha se passado a reunião do pessoal na praça da alegria, mas não poderia NUNCA JAMAIS deixar de ir manifestar minha profunda indignação como cidadã!!!


Arre égua, será o caralho?
Fui, chamei amigos, levei tintas, minha irmã fez um cartaz e fui movida por muita indignação presa na goela, ainda que tímida, mas vivamente indigesta, tamanha ojeriza!!!
Como isso?? NÃO, CIDADÃO PARAIBANO, COLLOR DE MELLO, NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!


Uma orquestra da Polícia Militar ensaiava assim que chegamos, eu e minha irmã, as primeiras a chegar, acho, e ouvimos de fora do Espaço, ainda no meio da rua o som dos instrumentos afinando e depois ensaiando as peças, em decibéis sonoros, para a recepção.
Aos poucos foram chegando os companheiros de indignação, que 'só queriam ver' Fernando Collor e expressar posição contrária aquela condecoração.
Fomos reprimidos de todas as formas. Vieram e argumentaram sobre não poder tocar instrumentos naquele local (uma sonoríssima magnífica alfaia e um intrumento lá imensamente sonoro tb, mas que não sei o nome ao certo, que a galera levou), nem lembro bem quais as outras conjecturas tecidas pela mediadora dos interesses dos 'maiores'. Contradicto como tudo, afinal, a banda a minutos atrás estava tocando com a mulesta no mesmíssimo lugar!!

Claro, os manifestantes foram barrados na entrada, mas todos os demais cidadãos paraibanos puderam participar do evento.
Sem qualquer máscara: os manifestantes contrários não entravam.
Nem se tirassem a tinta da cara (tirada foi), colocasse camisa de botão (colocada foi), e com gravata ainda mais: cidadãos paraibanos contrários a Collor não entravam, com ou sem cartazes.
Mas, uma senhorinha, com cartaz amarelinho com coração de purpurina, com dizeres do tipo "Collor, eu te amo!! Gostaria de poder tirar uma foto com Vossa 'Exlência', se possível" entrou, e ficou lá na frentezinha, doidinha pela tão esperada foto.
Ela também manifestou repúdio pelo manifesto. Bradou, sozinha, pro riso dos seguranças e outros: "Vão embora daqui!! Eu amo Collor, o que é que vocês estão fazendo aqui se não gostam dele? VÃO EMBORA!!!"
Estávamos lá, todos, por sentimentos a Collor. Só que de outra natureza.
Tiraram a banda, mudaram a rota, Collor evaporou e entrou por qualquer outro lugar que não o pré-estabelecido, a rampa que dava acesso ao Cine Banguê. Afinal, "ninguém esperava reações contrárias", e quando vimos, nossa, parece que a polícia reproduziu!!! Tinham bem mais macacos do que quando eu havia chegado!!
Percebemos: Collor talvez não fosse entrar por ali. A banda tinha ido embora, estava mais vazio de gente no local.

"Pedro Medeiros não teme reações contra Collor na PB
06/06/2007 às 09:47

João Costa
O deputado estadual Pedro Medeiros (PSDB), autor da propositura do título de Cidadão Paraibano que será entregue ao ex-presidente Fernando Collor (PTB) na próxima sexta-feira, 8, disse que não teme a ocorrência de reações contrárias ou movimentos de protestos".

"Vamos pra entrada do palco!!!"
E foi lá a base pro ápice da indignação: também não nos deixaram entrar por ali.

Ficamos atrás da porta, ainda aberta, bem perto do plenário, onde os meninos e meninas tocavam alfaia, tambor, cocalho, apitos e bradavam gritos indignados.
A indignação devia estar soando muito forte: mandaram fechar a porta.
Pra quê?
Não adiantou muito o fechamento da porta, o barulho ainda ecoava dentro do plenário, segundo informações de "infiltrados".
Collor só podia ser "condecorado" aqui. Não podia sequer notar que tinha gente contra.
Sabe qual a solução?
SPRAY DE PIMENTA.
Isso mesmo, lançaram spray de pimenta na antesala do palco, onde estávamos. Detalhe: um policial sem identificação.
UM ABSURDOOOOOOOOOOO!!
Um absurdo, uma tirania, um abuso de poder, uma vergonha!!

E tímidas passagens figuraram em algumas televisões.
"Presidente Collor recebe título de cidadão paraibano e traz de volta às ruas o movimento dos caras-pintadas".
Tremi. Trememos de indignação e choramos de spray de pimenta. Bradamos as nossas manifestações.
"Paraibano, esqueça não, Fernando Collor fez e faz corrupção".
Porém em local diferente de nossas poltronas, camas, conversas em refeições. Não ficamos em casa, aplaudindo ou reclamando.
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"Para resfrescar a memória...
O ápice do processo de corrosão do governo de Collor, se deu em maio de 1992 - pouco mais de dois anos após a posse -, quando o próprio irmão do presidente, Pedro Collor, deu entrevista à revista Veja acusando PC de comandar um esquema de grande corrupção, com a conivência do primeiro mandatário da República. Seguiu-se então um processo de investigação em que o Congresso, de um lado, através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a chamada CPI do PC, e de outro, de modo tão ou mais decisivo, a mídia, mobilizaram a opinião pública nacional em prol da apuração completa dos fatos e responsabilidades.
Comprovado o esquema de corrupção e o envolvimento do presidente, a CPI apresentou seu relatório ao país e entidades da sociedade civil - lideradas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) - deram entrada no pedido de impeachment do presidente, o que levou a Câmara dos Deputados a afastar Collor do poder. A repercussão das acusações pela imprensa resultaram em uma indignação popular sem precedentes. Esta se acentuou na medida em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), organizada para a averiguação dos fatos, acabou por descobrir ligações entre o presidente e os envolvidos diretamente nas negociatas que implicaram no desvio de milhões de dólares dos cofres públicos."
“O povo precisa se educar. Collor nunca foi condenado por nada, portanto não há motivos para reações. A única reação é de aplauso ao ex-presidente e atual senador da República” disse Pedro Medeiros - Deputado Estadual/PB".
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Os agradecimentos todos a todos que compareceram, a Edna, que me enviou o e-mail, que tinha sido enviado por Suzani (agradecimentos a ela também pela receptividade e atitude).
Vamos resgatar a nossa coragem roubada.

domingo, 27 de maio de 2007

Às donas do pedaço...

...elas, as traças... Versos que versam sobre essa falta de tempo e o mais contido neste, onde "falta" mas a expressão, sei lá, deveria ser outra. Falta tempo, porém, para ganhar-se mais... O mais: sentir não estar mais perdendo tempo.
Está sendo feito muito do tempo, é isso.
Quando vier a calmaria, espero viver um óciozinho, rezando que criativo. Desculpas aos passantes... Pelo menos, depararam-se por certo tempo com Pessoa e Magritte!!
Os versos:

LIBERDADE

Liberdade é correr como o vento,
Minuano a percorrer os pagos
é um cavalo selvagem no tempo
o grito preso na boca de escravos

Liberdade é sentimento de alma
inerente a cada um, ser humano
é a paz de uma manhã calma
ou o furor do ciclone soprando

É paradoxo entre ser ou não ser
é um escrutínio do sentimento
algo que queremos e podemos ter

A capacidade […]

Achei aqui, ó: http://amizadepoesia.wordpress.com/

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Eu de outrora, por Pessoa. De novo.

La mémoire, René Magritte, again.

NA FLORESTA DO ALHEAMENTO
Fernando Pessoa

SEI QUE DESPERTEI e que ainda durmo. O meu corpo antigo, moído de eu viver, diz-me que é muito cedo ainda. . . Sinto-me febril de longe. Peso-me não sei por quê...
Num torpor lúcido, pesadamente incorpóreo, estagno, entre um sono e a vigília, num sonho que é uma sombra de sonhar. Minha atenção bóia entre dois mundos e vê cegamente a profundeza de um mar e a profundeza de um céu; e estas profundezas interpenetram-me, misturam-se, e eu não sei onde estou nem o que sonho.
Um vento de sombras sopra cinzas de propósitos mortos sobre o que eu sou de desperto. Cai de um firmamento desconhecido um orvalho morno de tédio. Uma grande angústia inerte manuseia-me a alma por dentro, e incerta, altera-me como a brisa aos perfis das copas.
Na alcova mórbida e morna a antemanhã de lá fora é apenas um hálito de penumbra. Sou todo confusão quieta. . . Para que há de um dia raiar?. . . Custa-me o saber que ele raiará, como se fosse um esforço meu que houvesse de o fazer aparecer.
Com uma lentidão confusa acalmo. Entorpeço-me. Bóio no ar, entre velar e dormir, e uma outra espécie de realidade surge, e eu em meio dela, não sei de que onde que não é esse...
Surge mas não apaga esta, esta alcova tépida, essa de uma floresta estranha. Coexistem na minha atenção algemada as duas realidades, como dois fumos que se misturam.
Que nítida de outra e de ela essa trêmula paisagem transparente!. . .
E quem é esta mulher que comigo veste de observada essa floresta alheia? Para que é que tenho um momento de mo perguntar?. . . Eu nem sei querê-lo saber. . .
A alcova vaga é um vidro escuro através do qual, consciente dele, vejo essa paisagem. . . e essa paisagem conheço-a há muito, e há muito que com essa mulher que desconheço erro, outra realidade, através da irrealidade dela. Sinto em mim séculos de conhecer aquelas árvores, e aquelas flores e aquelas vias em desvios e aquele ser meu que ali vagueia, antigo e ostensivo ao meu olhar, que o saber que estou nesta alcova veste de penumbras de ver. . .
De vez em quando pela floresta onde de longe me vejo e sinto, um vento lento varre um fumo, e esse fumo é a visão nítida e escura da alcova em que sou atual destes vagos móveis e reposteiros e do seu torpor de noturna. Depois esse vento passa e torna a ser toda só-ela a paisagem daquele outro mundo...
Outras vezes este quarto estreito é apenas uma cinza de bruma, no horizonte d'essa terra diversa... E há momentos em que o chão que ali pisamos é esta alcova visível...
Sonho e perco-me, duplo de ser eu e essa mulher. . . Um grande cansaço é um fogo negro que me consome. . . Uma grande ânsia passiva é a vida que me estreita. . .
Ó felicidade baça... O eterno estar no bifurcar dos caminhos!. . . Eu sonho e por detrás da minha atenção sonha comigo alguém. . . E talvez eu não seja senão um sonho desse Alguém que não existe. . .
Lá fora a antemanhã tão longínqua! a floresta tão aqui ante outros olhos meus!
E eu, que longe desta paisagem quase a esqueço, é ao tê-la que tenho saudades d'ela, e é ao percorrê-la que a choro e a ela aspiro...
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Palavras de outrem sobre tempos de outrora, mas que nunca deixarão de ser tão minhas...
E é bom estar a contemplar as águas, as sombras, perceber e sentir que delas fomos familiares, e regozijar-se do tempo conjugado no passado.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Outros ventos.

Magritte.

Como diria Clarice, estou passando por um "período hiato" em matéria de produção de alguma coisa pra blog.
As demandas do ambiente tem sido muitas, muitas mesmo.
Mas aqui, deixo pelo menos umas cositas dignas de nota.
Estou conseguindo. Definitivamente, estou conseguindo, passando da fase das sombras e enxergando a vida com lentes apropriadas; não mais míope, não mais embaciada de sombras. Isso aqui deixo para todos os que, por ventura, chegarem a desacreditar na vida e nas suas múltiplas possibilidades, assim e exatamente como eu desacreditei, e muitas vezes não tive outra opção a não ser desistir. Quando faltam as forças...
Daí, sai como uma louca, buscando essa tal de força, e, pessoas, confesso: consegui.
Cheguei lá.
Ressalto: NÃO É IMPOSSÍVEL.
Mais uma ressaltada: É MUITO DIFÍCIL E DEMORADA essa chegada.
Outros dizeres falariam muito melhor por mim, muito mais acuradamente sobre, que tal: "saco vazio não pára em pé", e "a vida não pára"? Sim, sim, esses ditos mesmo!! Ao ganhar forças pra 'encher o meu saco' (e até então o problema tinha sido esse, força), parei em pé, bem andante, e estressada, a mais feliz do mundo. Hum, e com certeza, pro saco andar, não era apenas necessária a comida do ditado.
E as inúmeras voltas da vida acabaram trazendo-me a capacidade de enxergar que em tudo, temos no mínimo, dois lados, verdade essa que eu já conhecia (e já jogava aos sete ventos), mas ver o segundo lado das coisas é onde se encontrava o nó.
Desatei.
E o que eu queria deixar anotado é isso: NÃO DESISTAM DE VOCÊS MESMOS.
Contemos tantos tesouros, tantas potencialidades dentro de nós, mas alguma coisinha pode estar, feito tule, fazendo barreira.
Mas tule se rasga.
E o período é tão hiato em matéria de produção pra blog que eu nem imagino se vcs entenderam alguma coisa.
E queria muito que entendessem...
Prosas sobre seriam muito bem vindas.
É só marcar... Boooooora??

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Ah, quanta coisa pra fazer!!!

Aos visitantes, um pedido de desculpas pelo estado de abandono do blog.
A universidade tá com toda a mulesta, trabalhos, provas, seminários mil, ando realmente sem tempo!!
Mas, vai aqui uma musiquinha, fala de pressa, já foi uma vez até o "about me" do orkut, e reflete essa ânsia apressada de minh'alma (e outras alminhas apressadinhas tb...) e tb o remédio: dar tempo ao tempo.
E os louvores todos à capacidade que está se consolidando em mim, de movimento.
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A Natureza Das Coisas
Santanna
Composição: Accioly Neto

"Ô chá, lá, lá, lá, lá
Ô chá, lá, lá, lá, lá

Se avexe não...
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada.

Se avexe não...
A lagarta rasteja
Até o dia em que cria asas.

Se avexe não...
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.

Se avexe não...
Amanhã ela pára
Na porta da tua casa

Se avexe não...
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá...

Se avexe não...
Observe quem vai
Subindo a ladeira
Seja princesa, seja lavadeira...
Pra ir mais alto
Vai ter que suar.

Ô coisa boa é namorar,
Ô coisa boa é namorar"
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E falta tão pouco, Minh'Alma... Já temos tão solenemente vivido, incrustado, companheiro, o AMOR...
E agora também pernas andantes...
Só falta o resto, danada apressada!
"Se avexe não"...